A vida não para | Elas venceram o câncer e os obstáculos que ele trouxe para o sexo

A mulher com diagnóstico de câncer de mama tem sua vaidade colocada à prova quando seu seio é ameaçado pela doença. Sem o apoio de um parceiro compreensivo, a vida sexual do casal pode ser prejudicada não só pela baixa autoestima da mulher, como pelos efeitos colaterais que podem surgir no tratamento, como a perda da libido e o ressecamento vaginal. A seguir, quatro mulheres contam como superaram as dificuldades no sexo.

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Imagem: Arquivo Pessoal “Sou gostosa e tenho dois peitos lindos e duros”

Vanessa Pessôa da Silva, 32, professora de educação física, fez mastectomia total do seio direito com reconstrução imediata, mas está sem o mamilo.

“Não tenho vergonha de ficar pelada na frente do meu marido Pablo, 38, por não ter um mamilo. Entre quatro paredes, nossa vida sexual não foi atingida pelo diagnóstico de câncer de mama que recebi há um ano e dois meses. Sou amada e desejada, e não é um seio deformado que vai tirar minha sensualidade. Fiz duas cirurgias e, ano que vem, farei a reconstrução com a pele da virilha. Emagreci 12 kg e estou mais bonita, gostosa e com dois peitos lindos e duros! Não ter o mamilo direito não abalou em nada a minha beleza. Meu marido me elogia sempre.

Perdi um pouco a sensibilidade nas mamas, por causa da mastectomia e da simetrização nos seios, mas meu maridão, que está sempre ao meu lado, me estimula. Todos os dias ele tem um dever de casa: tocar os meus peitos. Ele brinca que ganhou dois brinquedinhos novos: ‘É só meu! Então, vou brincar’. A cada dia, ele está mais esperto e conclui o trabalho com bastante sucesso.

Eu e o Pablo estamos juntos há sete anos e meio e ainda não temos filhos. Só poderei tentar engravidar aos 41 anos, quando serei liberada do tratamento que estou fazendo com um bloqueador hormonal, que é indicado de cinco a dez anos. Enquanto isso, estamos cumprindo um trato que fizemos: vivendo intensamente”.

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Imagem: Arquivo Pessoal “Durante o sexo, meu marido ia com calma e paciência”

Cristiane da Silva Torres Barbosa, 47, empresária, fez mastectomia radical da mama esquerda com esvaziamento axilar. Ainda não fez a reconstrução mamária.

“Fiquei com um ressecamento vaginal tão forte na quimioterapia que, ao fazer sexo com meu marido Luiz Carlos, 51, era como se eu tivesse voltado a ser virgem. Como não conseguia ficar molhada, sentia muita dor e tinha sangramento durante a penetração. Minha ginecologista me indicou uma pomada para aliviar o incômodo, teve um bom efeito, mas o que fez a diferença mesmo foi o carinho do meu marido. Estamos casados há 30 anos e temos duas filhas. Ele é um anjo na minha vida.

Naquela fase, as preliminares eram muito importantes para eu conseguir relaxar e ter o máximo de prazer. Durante o sexo, ele ia com calma e paciência. Tentávamos todas as posições até achar a mais confortável, o sexo oral ajudava bastante. Às vezes eu demorava um pouco para engatar, mas quando pegava no tranco, ele tinha que me segurar. Quando estamos juntos, a entrega é total.

Descobri o tumor em dezembro de 2016, ele me fez perder os cabelos e a mama esquerda. Sigo fazendo a radioterapia e quando terminar vou fazer a reconstrução. O tratamento é uma etapa difícil para o casal, mas o nosso amor só aumentou, e não é porque eu tirei um peito que deixei de ser mulher”.

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Imagem: Arquivo Pessoal “Gosto de ser controlada no sexo e ser chamada de ‘gostosa’”

Mônica Fernandes Lopes, 52, autônoma, fez mastectomia total da mama direita e não quis fazer a reconstrução.

“Fiquei com vergonha a primeira vez que transei depois de ter retirado o seio, mas meu marido Aluizio, 53, me deixou à vontade. Ele costuma brincar que para que dois peitos se ele tem só uma boca. Por ele, faríamos sexo todos os dias, mas eu me faço de difícil, é importante para esquentar a nossa relação, que já dura 32 anos.

A posição que eu mais fico excitada é de quatro. Eu me sinto submissa e chego ao orgasmo mais rápido. Gosto de ser controlada no sexo. Também sinto prazer no tradicional papai e mamãe e quando fico por cima olhando para ele. Adoro quando ele me chama de ‘gostosa e safada’ e sinto umas ondas de calor com seus beijos e carícias.

Fiz a mastectomia na mama direita em maio de 2011 após descobrir o câncer. Meu marido e meus três filhos me apoiaram muito. Estou curada e nunca tive vontade de fazer a reconstrução. Tenho medo de anestesia e como uso sutiã de bojo nem dá para perceber que retirei o peito. Ainda estou pensando se vou colocar a prótese, se colocar, só ficarei ainda mais linda”.

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Imagem: Arquivo Pessoal “Meu marido é um amante excepcional”

Nara Curty, 40 anos, professora, fez mastectomia total da mama direita e está com a prótese expansora.

“Ter relações sexuais não estava nas minhas prioridades logo que descobri o câncer de mama no final de 2016 e iniciei o ciclo de oito sessões da quimioterapia. Ao perceber que as coisas estavam indo bem, o sexo voltou à minha rotina e a do Marcos, 44, com quem estou casada há 19 anos e tenho dois filhos. Existia uma preocupação por causa da mastectomia e das mudanças no corpo, mas nunca deixei a mutilação afetar a minha autoestima.

O segredo para me manter sexualmente ativa e não perder a libido é a parceria e a cumplicidade. Compreendemos a vontade um do outro, sem cobranças ou acusações. Nosso truque é a sedução diária através dos olhares, toques e beijos. Gostamos de tomar banho juntos e fazer massagens. Uso lingeries sensuais que esquentam nossa relação e aumentam ainda mais o desejo e o prazer.

A sensibilidade do Marcos tem sido fundamental para que eu me sinta desejada, atraente e bonita, meu marido é um amante excepcional. A luta continua, ainda restam 28 sessões de radioterapia, mas seguiremos aprendendo esse novo caminho juntos”.

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