Áudios mostram como quadrilha aplica golpe por telefone em usuários de cartões de crédito

Conforme a polícia, criminosos passam impressão de que clientes recebem ligações de central de segurança das operadoras. Ouça áudio.

Ligação interceptada mostra como golpista abordava a vítima para o golpe do cartão

Ligação interceptada mostra como golpista abordava a vítima para o golpe do cartão

Gravações interceptadas pela polícia na investigação que desarticulou uma quadrilha que frauda cartões de crédito mostram como os criminosos abordavam as vítimas por telefone, se passando por funcionários da central de atendimento das administradoras de cartão. Oito pessoas foram presas, cinco em Porto Alegre e três em São Paulo, durante a manhã desta quarta-feira (3).

De acordo com o delegado Tiago Baldin, chamou a atenção da polícia, a frieza e tranquilidade dos golpistas.

“Eles passam uma falsa impressão, passam a aparência de licitude, aquela conduta, porque a vítima se sente respaldada.”

Polícia cumpre mandados judiciais durante operação no Rio Grande do Sul (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)Polícia cumpre mandados judiciais durante operação no Rio Grande do Sul (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Polícia cumpre mandados judiciais durante operação no Rio Grande do Sul (Foto: Fábio Almeida/RBS TV)

Em uma das ligações, a vítima é indagada sobre uma compra (falsa) feita com o cartão de crédito dela. Ela nega. Em seguida, o integrante da quadrilha afirma que a pessoa foi vítima de clonagem, e passa falsas orientações, dizendo até que existiria uma parceria com a Polícia Civil para investigar as fraudes.

Em seguida, o golpista faz que encaminha a ligação para uma central de bloqueio. Nesse momento, pede que a pessoa digite a senha pelo teclado telefônico, permitindo a interceptação, e depois orientam o cliente a cortar o cartão no meio, com uma tesoura, mas tendo o cuidade de deixar o chip intacto. Depois, um motoboy é enviado ao endereço para pegar o cartão, que seria usado para compras, saques e empréstimos.

“Boa tarde, meu nome é ***, eu falo da central de segurança dos cartões Visa e Mastercard”, diz o golpista na ligação, informando a vítima sobre uma compra no valor de R$ 2,5 mil. “Não, eu não estou comprando nada”, responde a dona do cartão.

“Infelizmente, a nossa suspeita se confirma. Possivelmente a senhora foi vítima de uma clonagem de cartão de crédito”, continua o golpista. Ele informa que a compra foi bloqueada, e que a empresa trabalha em conjunto com a polícia para identificar a origem da fraude.

“Vamos ter que fazer a investigação, juntamente com a Polícia Civil, uma parceria que nós temos em Porto Alegre, para saber e localizar de onde partiu a clonagem do cartão da senhora”, diz o falso atendente.

Então ele transfere a ligação para uma falsa central de cancelamento, onde toca até uma música comum de espera de serviços de atendimento telefônico. Em seguida, o criminoso diz à vítima que a empresa vai ajudá-la a registrar um boletim de ocorrência.

“Eu vou lhe ditar uma carta, na qual a senhora vai escrever, uma carta bem simples. Ela apenas servirá de boletim de ocorrência para a senhora não ter que se deslocar até uma delegacia nem a nossa central de segurança”, diz o golpista, ainda na ligação.

“A senhora vai cortar ele [cartão] ao meio, na vertical, mas o chip, que é aquela parte prateada dele, não poderá ser danificado, porque é através deste chip que nós vamos conseguir saber e localizar de onde partiu a clonagem do cartão da senhora”, continua.

Em seguida, o golpista orienta a vítima sobre uma pessoa que vai retirar a documentação na residência dela.

O G1 entrou em contato com as operadoras dos cartões de crédito citadas pelos golpistas. A assessoria da Mastercard disse que irá retornar, e a da Visa ainda não atendeu.

29 vítimas identificadas

Durante a investigação, a polícia identificou que 29 pessoas foram vítimas do golpe, que pode chegar a R$ 422 mil. A quadrilha fica em São Paulo, onde mantém a central telefônica, mas os integrantes se deslocam até o Rio Grande do Sul após ter acesso às senhas e aos chips.

O delegado Baldin afirma que os golpistas faziam as compras em Porto Alegre para evitar desconfianças. “Eles vêm e utilizam aqui em Porto Alegre, porque chamaria muito a atenção aqueles cartões de crédito sendo utilizados em grande escala em uma unidade da federação, que não a de origem.”

De acordo comBaldin, chamou a atenção da polícia a frieza e tranquilidade dos golpistas. “Eles obviamente possuem dados cadastrais das pessoas, e eles buscam alvos que entendem que sejam mais fáceis. Pessoas de mais idade, que ficam em suas residências no período da manhã ou da tarde”, acrescenta.

Ainda conforme o delegado, os suspeitos ligavam sempre para telefones fixos, e não deixavam a linha cair quando pediam para a vítima ligar para a administradora de cartão de crédito, conforme o número no verso do cartão, para solicitar o cancelamento.

“Mas como a vítima está utilizando um telefone fixo, o estelionatário não desligou, ele está com a linha trancada. Quando a vítima baixa o telefone no gancho, e liga novamente, o estelionatário lança uma gravação que dá o sinal de linha para efetuar nova ligação. A vítima faz a ligação, e quando termina de discar, o estelionatário já lança uma nova gravação de rotina, como se liga para uma operadora”, explica o delegado.

MAIS DO G1

Foto: (Reprodução/NBR)

Ministro da Justiça anuncia reforço da Força Nacional no Rio de Janeiro

Foto: (Reprodução/TV Câmara)

Sessão para votar reforma da Previdência é suspensa; SIGA

Agentes penitenciários protestam contra a reforma da Previdência

Manifestantes ocuparam gramado; PM foi chamada.

Produção da indústria cai 1,8% em março em relação a fevereiro

Na comparação com o mesmo mês de 2016, alta foi de 1,1%.

Presos após confronto com direita anti-imigração responderão por 4 crimes

Detidos alegam que apenas se defenderam.

Belchior morreu após rompimento de artéria, diz laudo

Polícia pediu ainda exame toxicológico, ainda sem resultado.

Foto: (Zé Nunes/Arquivo pessoal)

G1 refaz trajeto por onde Belchior se ‘escondeu’ por 10 anos no RS

Cantor e compositor estava distante da vida pública desde 2007.

Justiça nega liminar para suspender investigação contra ex-BBB

Juiz considerou que reclamações de Marcos Harter não procedem.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*