Blocos de carnaval em bairros terão limite de 4 mil pessoas e deverão terminar até as 20h, diz Doria

Prefeitura quer colocar grandes blocos de carnaval para desfilar na avenida 23 de Maio

Prefeitura quer colocar grandes blocos de carnaval para desfilar na avenida 23 de Maio

O prefeito João Doria (PSDB) divulgou nesta quarta-feira (11) algumas mudanças no carnaval de rua de São Paulo em 2018. Segundo o prefeito, somente blocos com público estimado em 4 mil pessoas poderão realizar a folia nos bairros. A festa terá de ser encerrada até as 20h.

As informações foram reveladas à imprensa após a coletiva para divulgação de parcerias entre a prefeitura da capital paulista e do Rio de Janeiro.

“A orientação dada às Prefeitura Regionais é que durante o dia manifestações pequenas poderão ser avaliadas em bairros distintos da cidade, inclusive no baixo Augusta, que é uma região de baixa densidade habitacional, é mais comercial, ali nós podemos ter desde que seja um movimento no limite de 3 a 4 mil pessoas e também em bairros periféricos da cidade, mas sob controle e dentro de horário estabelecido que não exceda às 20h para obedecer a lei do Psiu”, afirmou Doria

Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta faz percurso na Rua da Consolação com dezenas de milhares de foliões (Foto: G1 )Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta faz percurso na Rua da Consolação com dezenas de milhares de foliões (Foto: G1 )

Bloco Acadêmicos do Baixo Augusta faz percurso na Rua da Consolação com dezenas de milhares de foliões (Foto: G1 )

O prefeito não esclareceu se a Vila Madalena é um dos bairros em que os blocos menores poderá circular. Em entrevista à Rádio Trianon, Doria disse que o carnaval de rua da capital paulista deixaria de vez a região da Vila Madalena. A folia já tem novo endereço definido: a Avenida 23 de Maio. “A Vila já deu o que tinha que dar”, disse o tucano.

“Nós não teremos carnaval de rua na Vila Madalena. Quero deixar bem claro isso. A Vila já deu o que tinha que dar. Ou seja, ela se tornou pequena para o tamanho, para a dimensão que ganhou o carnaval de São Paulo”, anunciou.

Ainda na entrevista à Rádio, Doria afirmou que a decisão foi tomada porque o bairro boêmio da Zona Oeste já não teria “condições físicas, nem de segurança, nem de respeito aos moradores que ali residem para manter o carnaval”. “Nós tivemos 1,7 milhão de pessoas nos carnavais de rua aqui em São Paulo. Um número estrondoso. Não há condição realmente”, completou.

Críticas e resistência

O megabloco Acadêmicos do Baixo Augusta, um dos maiores da cidade, publicou nas redes sociais uma nota criticando as declarações de Doria.

No texto, os organizadores defendem que quem faz o carnaval são os blocos e não a Prefeitura. Eles também afirmam que seguirão o trajeto deste ano, percorrendo, no dia 4 de fevereiro de 2018, a Rua da Consolação, Av. Paulista até a Praça Roosevelt.

Texto publicado nesta terça-feira (10) pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta (Foto: Reprodução/Facebook)Texto publicado nesta terça-feira (10) pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta (Foto: Reprodução/Facebook)

Texto publicado nesta terça-feira (10) pelo bloco Acadêmicos do Baixo Augusta (Foto: Reprodução/Facebook)

“Como temos clareza que o carnaval é um evento realizado pelos blocos e suas comunidades e não pela Prefeitura, lembramos que nós e os mais de 500 mil foliões que apavoram mas não assustam conosco, iremos fazer todos os esforços e vamos permanecer em nosso trajeto tradicional. Dia 4 de fevereiro de 2018 desceremos a Rua da Consolação da Av. Paulista até a Praça Roosevelt.

Entendemos também que não existiria carnaval de rua na cidade de São Paulo se não fosse a resistência dos tradicionais blocos da Vila Madalena. Por isso, estaremos ao lado desses movimentos culturais não apenas para lutar contra o veto ao bairro, como também para adensar a festa nessa região que é tão boêmia e querida quanto a nossa.

Lamentamos tais declarações nesse momento em que o diálogo estabelecido entre Secretaria de Prefeituras Regionais e blocos de carnaval estava tão avançado e produtivo – e prova disso é o próprio decreto publicado – e espero que a Prefeitura venha à público o quanto antes para esclarecer sobre o que de fato vale como regra do carnaval: o que está escrito no decreto ou o que foi falado pelo Prefeito.”

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