Campinas e Piracicaba concentram maior nº de casos de infecção por febre maculosa em SP entre 2007 e 2018


Levantamento da Secretaria de Saúde de SP mostra que 70 pessoas teriam sido infectadas pela doença no período em Campinas e 60 em Piracicaba. Margens do Rio Piracicaba, ao lado do Museu do Salto Grande, em Americana, é área de risco para febre maculosa
Reprodução/EPTV
Um levantamento do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo mostra que Campinas (SP) é a cidade com maior número acumulado de casos de infecção por febre maculosa no período de 2007 a 2018. Ao todo, 70 pessoas foram infectadas no município. Em segundo lugar, Piracicaba (SP) aparece com 60 casos nos quase 12 anos. Os números se referem aos registros nos locais prováveis de infecção (LPI), e não aos locais de moradia dos pacientes. As duas cidades concentram, portanto, 130 casos, até a última atualização do estado, que data de 9 de agosto.
A lista apresenta a realidade de 132 cidades de São Paulo que, em ao menos um dos anos entre 2007 e 2018, apresentou ocorrência de infecção no município por febre maculosa. No total, foram 730 registros. “O mapa de LPI é fundamental porque aponta ações de combate”, afirma o médico veterinário Ricardo Conde, do Departamento de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Campinas (Devisa).
Em 2018, três casos foram registrados em Campinas e um em Piracicaba. Veja no gráfico abaixo a evolução ano a ano nos dois municípios.
As cidades das regiões de Campinas e Piracicaba possuem um cenário atraente para os carrapatos hospedeiros da bactéria causadora da febre maculosa. Segundo o médico veterinário, vegetação favorável à proliferação do carrapato-estrela; rede hídrica rica em rios e córregos; e a presença da capivara, hospedeiro primário, tanto nas áreas rurais quanto nas urbanas, são os principais pontos. “Campinas, estendendo a outras cidades da região, contém condições ambientais favoráveis. Presença do hospedeiro, do carrapato e outro fator bastante importante: é uma doença que acomete prioritariamente pessoas que buscam áreas verdes para lazer ou trabalho. Quem trabalha com poda, jardinagem, pescaria, como Americana”, explica Conde.
Capivaras são um dos animais hospedeiros do carrapato-estrela. Cavalos, cães e gatos também podem fazer o transporte do carrapato.
Reprodução/TV Globo
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado, a cada caso identificado, as vigilâncias municipais são orientadas pelo grupo de vigilância epidemiológica regional sobre as medidas de orientação para profissionais de saúde e para a população em geral, que incluem medidas de proteção individual, suspensão diagnóstica e tratamento. “Cabe destacar que o trabalho de campo para controle da doença, bem como a investigação de casos, conforme diretriz do SUS, compete primordialmente aos municípios”, diz a nota da Saúde de SP.
Região de Campinas
Em toda a região de Campinas – composta por 31 municípios -, 26 cidades registraram casos de infecção local por febre maculosa de 2007 até agosto de 2018. Um total de 265 pessoas infectadas, número que equivale 36,3% de todos os registros de LPI do estado.
Este ano, 22 casos de infecção já foram notificados ao estado, número igual ao registrado em todo o ano de 2017. Sobre o caso de LPI em Vinhedo, a Prefeitura informou ao G1, por nota, que se refere a um paciente de Louveira (SP) que tinha a suspeita de ter sido infectado por febre maculosa em Vinhedo. No entanto o “caso acabou não se confirmando como positivo, pois não teve ‘viragem sorológica”, e deverá ser descartado do levantamento na próxima atualização.
Com 11 casos, Americana (SP) registrou não só o maior número por LPI da região, mas 2018 é também o ano com mais ocorrências na cidade considerando todo o período de 2007 a 2018.
Por nota, a Prefeitura explicou ao G1 que “na maioria dos casos, a infecção ocorreu às margens do Rio Piracicaba”, local de fácil acesso, “uma vez que o Rio Piracicaba possui uma grande extensão nas áreas de divisa do município”. A administração municipal também destacou “a grande estiagem ocorrida durante os meses de outono, o que favoreceu a maior proliferação do carrapato-estrela”. A doença tem sido combatida com pesquisa, ações educativas e substituição de placas de advertência danificadas. “A relevância é que [a febre maculosa] tem uma letalidade muito elevada. Na região, gira em torno de 50%. A cada dois, um evolui pra óbito”, afirma o médico veterinário.
Carrapato-estrela é o responsável por transmitir a febre maculosa
CDC/ Dr. Christopher Paddock/ James Gathany
Em Campinas, segundo o Devisa, a orientação nas unidades de saúde é já começar a tratar com antibiótico os pacientes que apresentam suspeita da doença, porque a evolução é muito rápida, segundo Conde. “Nos primeiros dias de sintomas, se confunde com outras doenças. Pode dar a entender que é leptospirose, dengue. O médico que faz o primeiro atendimento no paciente febril tem que estar orientado a perguntar se ele teve carrapato e se frequentou uma área assim”, afirma o médico. “A bactéria causa um problema vascular. Pode causar quadro de hemorragia, manchas no corpo, quadro febril exacerbado e quadros hemorrágicos com necrose de membros. É uma doença que tem por característica uma evolução muito aguda”.
Região de Piracicaba
A região de Piracicaba tem 18 cidades, das quais 14 possuem casos de infecção local por febre maculosa no período do levantamento. Foram 162 pacientes, que corresponde a 22,1% do total de SP.
Em 2018, 7 registros foram notificados à Secretaria de Saúde de SP. Em 2017 foram 16 ocorrências. Febre maculosa por local de residência
Considerando a residência dos pacientes infectados, a região de Campinas concentra 33 casos da doença, sendo 16 mortes, de acordo com o levantamento feito pela EPTV, afiliada da TV Globo. Já a região de Piracicaba tem 9 casos na região, sendo 6 mortes. “Como a gente está falando de uma doença ambiental que vai prevalecer na região, uma arma importante é a informação. Mapear as áreas de risco, sinalizar as áreas de risco, orientar sobre o manejo. Grama muito bem aparada é um fator que dificulta a permanência do carrapato no local”, diz o especialista.
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