Centro Boldrini lança livro desenvolvido por crianças em tratamento

‘O Príncipe que queria ser carro’ é a segunda edição do projeto ‘Histórias Contadas’, que cria contos infantis através de oficinas realizadas no hospital.

Referência na América Latina no tratamento do cancêr infantil, o Centro Boldrini lançou um livro produzido por crianças em tratamento no hospital, como uma alternativa de apoio aos procedimentos médicos e incentivo à imaginação. A obra “O príncipe que queria ser carro” faz parte da segunda edição do projeto “Histórias Contadas”, que realiza oficinas de contação, ilustração e construção de contos na unidade.

A presidente e fundadora do Boldrini, Sílvia Brandalise, conta que a proposta é fundamental para os pacientes porque é possível observar grandes benefícios na evolução do tratamento.

“A criança chega ao hospital com um largo sorriso, ela não tem medo de ver médico, enfermeira […] A fantasia não modifica a realidade, mas ela torna a realidade mais suportável”, diz a médica.

Crianças de todas as faixas etárias em terapia no Boldrini podem participar do projeto. A mãe da paciente Julia Amaral de Jesus reconhece que a iniciativa está sendo indispensável para o desenvolvimento da filha de 5 anos durante o período de tratamento, que já dura um ano.

“A gente nota que ela está mais participativa com tudo, está desenvolvendo melhor todas as atividades, melhorando no acompanhamento pedagógico do hospital. Pra ela ir para o hospital é sinônimo de festa, não é nem de tratamento de leucemia. Ela não tem problema nenhum em ir”, explica Poliana Amaral de Jesus.

Nesta edição, 28 pacientes fizeram parte da criação da obra. Além do aprendizado e outros benefícios, o projeto apresenta uma perspectiva para o futuro, que, de acordo com a coordenadora pedagógica do hospital, Luciana Mello, é um fator importante para as crianças em tratamento.

“Eles estão aqui num ambiente gerador de desconforto, uma certa ansiedade. O fato de você poder planejar o futuro gera uma perspectiva muito positiva […] você consegue inserir no ambiente do hospital elementos que vão minimizar todos esses sentimentos e até inverter, porque a criança vem feliz pro hospital”, relata.

O projeto, que recebe auxílio de uma escola de artes, teve início em 2015 com o livro “Histórias que Voam”. No entanto, a coordenadora pedagógica lembra que já foram publicadas outras obras com formatos semelhantes, propostas diferentes e parceria com outras instituições.

Para a distruibição dos exemplares de “O prínicipe que queria ser carro”, serão disponibilizadas duas mil edições e cada criança será prestigiada com dez no dia do lançamento. “Se ela precisar mais livros, é só solicitar que a gente vai tentar atender toda a demanda”, diz Luciana.

Atualmente, as publicações produzidas no Boldrini são financiadas pelo Ministério da Cultura, por meio da Lei Rouanet. A legislação compõe o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) e permite a captação de verbas para projetos culturais através de incentivos fiscais para empresas e pessoas físicas.

*sob supervisão de Marcello Carvalho

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