Cremesp abre sindicância para apurar mortes de duas crianças em hospital de Indaiatuba


Primeiro óbito foi de um bebê que morreu após o parto; enquanto segundo é de um menino de 1 ano e 3 meses que estava com febre, dor no corpo e vômito. Famílias relatam negligência. Hospital Augusto de Oliveira Camargo, em Indaiatuba
Reprodução/EPTV
O Conselho Regional de Medicina do estado (Cremesp) confirmou nesta quarta-feira (22) que abriu uma sindicância para apurar denúncias que tratam sobre as mortes de duas crianças no Hospital Augusto de Oliveira Camargo (HAOC), em Indaiatuba (SP). Um dos casos é de um bebê que teve óbito constatado após parto; e o segundo é um menino de 1 ano e 3 meses que apresentava sintomas como febre, dor no corpo e vômito. As famílias relatam negligência da unidade.
Na segunda-feira, a EPTV, afiliada da TV Globo, conversou com as famílias das vítimas. A operadora de caixa Gabriela da Silva Georgetto afirmou que entrou em trabalho de parto no dia 13 e, segundo ela, depois de ter muitas dores por dez horas, ela pediu para fazer uma cesária e recebeu negativa dos médicos. O bebê ficou preso no canal e as enfermeiras não conseguiram impedir o óbito. “Ele já estava roxo. Meu marido falava para a médica e ela dizia que não. Depois me viraram e o bebê saiu, mas já não estava respirando. Foi negligência porque passou da hora, elas deveriam ter escutado o que eu queria. Eu queria cesária, deveriam ter feito. Eu sai de lá para sair com meu filho nos braços e saí carregando o caixão dele”, afirmou.
Já a mãe da outra criança, Cristina Cardoso Lopes, contou que ela começou a passar mal no dia 11. Ele foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) algumas vezes, mas recebeu alta. Após quatro dias sem diagnóstico, ele voltou a ter sintomas e foi encaminhado ao hospital. O menino chegou a ser internado na UTI, mas não resistiu e causa foi registrada como “indeterminada”. “Até agora eu não sei do que o meu filho morreu. Isso é desesperador, a gente precisa saber a causa”, falou.
O que diz o hospital?
Sobre o bebê de 1 ano e três meses, a assessoria do hospital alegou na segunda-feira que ele recebeu todos os cuidados na sala de emergência, mas não resistiu e morreu logo após dar entrada. A causa da morte, de acordo com a unidade, ainda é indeterminada.
Em relação ao recém-nascido, o hospital relatou que a paciente apresentava todas as condições para parto normal, mas houve um problema raro que só pode ser diagnosticado nos trabalhos.
A unidade informou à reportagem que não foi notificada sobre a sindicância do Cremesp.
Prefeitura investiga
A administração municipal informou que segue o padrão do Ministério da Saúde para óbitos de crianças com menos de um ano de idade, mas o mesmo protocolo será aplicado no segundo caso. O documento prevê a investigação epidemiológica para óbitos pós-neonatais, neonatais e fetais. Além disso, um Comitê de Mortalidade Infantil “está atuando no esclarecimento dos fatos”.
A Prefeitura também destacou que não foi comunicada sobre a medida do conselho.
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