Crise na Venezuela: Análise: O último prego no caixão da democracia

O fracassado governo de Nicolás Maduro pregou, nesta segunda-feira (1), o último prego no caixão da democracia e do diálogo com a oposição, além de aplicar uma bofetada no papa Francisco.

A convocação de uma Assembleia Constituinte supostamente popular foge ao padrão constitucional da Venezuela, estabelecido pelo próprio chavismo e que estabelece o sufrágio universal como requisito essencial.

Pelo que anunciou Maduro, a eleição será com base no Poder Comunal, inventado pelo chavismo e do qual a oposição está excluída. E não poderão participar partidos políticos e “as elites”, ou seja, será uma votação em circuito fechado, reservado aos partidários do regime.

Carlos Becerra/AFP
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores, em comício do 1º de Maio em Caracas
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores

Além disso, atropela a atual Assembleia Nacional, esta sim eleita por sufrágio universal e na qual a oposição tem sólida maioria.

Aliás, sufocar a Assembleia é tudo o que o governo vem fazendo desde a vitória oposicionista em 2015.

A bofetada no papa se caracteriza pelo fato de que Francisco fizera no domingo (30) “um sincero apelo ao governo e a todos os componentes da sociedade venezuelana para evitar formas de violência, respeitar os direitos humanos e buscar uma solução negociada”.

Ora, é impossível buscar uma solução negociada quando uma das partes, no caso o governo, decide unilateralmente desconhecer a outra.

O papa também criticou a “grave crise humanitária, social, política e econômica que está exaurindo a população”. É óbvio que não é com uma constituinte, de qualquer natureza, que se pode enfrentar a crise apontada por Francisco e pela maioria dos países latino-americanos, Brasil inclusive.

Todos eles também pregam o diálogo como meio de tentar resolver a crise e são, portanto, igualmente atingidos pela bofetada de Maduro.

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