DHPP investiga se socorrista morto após sumir na Cracolândia fingiu ser policial

Bruno de Oliveira Tavares entrou na Cracolândia na última quarta-feira e o corpo dele foi achado no domingo a 2 quilômetros do local.

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) vai investigar a morte do socorrista encontrado morto após desaparecer na última quarta-feira (3) na Cracolândia, na região central de São Paulo, e vai apurar se ele usou um distintivo e fingiu ser policial ao ser abordado por traficantes.

O corpo de Bruno de Oliveira Tavares, de 34 anos, foi liberado na tarde desta terça-feira (9) pelo Instituto Médico Legal (IML), após ser reconhecido pelo pai da vítima, que veio do Rio de Janeiro.

A vítima trabalhava na empresa Restart, especializada em remoções clínicas e psiquiátricas. Bruno entrou na Cracolândia após a mãe de uma usuária de drogas contratar a empresa para buscar a filha no local. Ele ficou dias desaparecido e, no último domingo, o corpo dele foi achado a cerca de 2 quilômetros do lugar onde Bruno desapareceu, na esquina da Rua Neves de Carvalho, no Bom Retiro.

Inicialmente, a polícia trabalhava apenas com a informação de que Bruno teria dito aos traficantes que pertencia a uma quadrilha carioca, inimiga da organização de São Paulo que controla a Cracolândia.

“Nós recebemos uma informação de que ele estaria portando um distintivo de uma entidade de segurança, ainda estamos tentando levantar melhor essa informação e por isso então eles teriam desconfiado que ele seria um polícia”, afirmou o delegado Osvany Zanetta Barbosa.

A Secretaria da Segurança Pública informou que a polícia faz operações constantes na região da Cracolândia e que, no ano passado, prendeu 74 traficantes, apreendeu 71 kg de crack e R$ 89 mil em dinheiro.

Há duas semanas, o SP 2 mostrou o feirão das drogas na Cracolândia. Nas barracas, os traficantes vendem livremente entorpecentes como crack, maconha e cocaína. A segurança é realizada por homens fortemente armados, inclusive com metralhadoras.

Na última quarta-feira, Bruno e o patrão foram de ambulância à região da Cracolândia e pediram autorização aos traficantes para encontrar a filha da mulher que contratou a empresa Restart. Os traficantes, segundo a polícia, pediram a presença da mãe da jovem.

O patrão de Bruno foi, então, até onde a mulher estava e, ao voltar, Bruno tinha sido sequestrado. O dono da empresa contou à polícia que um traficante suspeitou que Bruno era de uma facção criminosa do Rio de Janeiro. A família de Bruno nega que ele já tenha tido ligação com qualquer facção.

O delegado do 3º DP, Osvany Zanetta Barbosa, disse que chegou a solicitar que a Tropa de Choque da PM entrasse na Cracolândia para encontrar Bruno. “Nós comunicamos à Polícia Militar solicitando autorização para que a Tropa de Choque entrasse lá para retirar o indivíduo de dentro da Cracolândia, mas como não tínhamos certeza de que ele estaria lá dentro, não houve autorização de entrada lá”, disse o delegado.

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