Ex-matador da máfia processa TV por revelar seu passado à filha

Na série "Il Cacciatore", Pasquale Di Filippo é interpretado por Dario Aita (à dir.)

Na série “Il Cacciatore”, Pasquale Di Filippo é interpretado por Dario Aita (à dir.) Divulgação

Pasquale Di Filippo, um ex-matador da máfia italiana nos anos 1990, entrou com uma ação de danos morais contra a rede de televisão RAI. O motivo: a filha dele, de 14 anos, descobriu sobre seu passado enquanto eles assistiam a uma série da emissora sobre mafiosos.

No seriado, chamado “Il Cacciatore” (“O Caçador”, em italiano), Di Filippo aparece como um torturador e assassino cruel, responsável por mais de 20 homicídios. Na vida real, ele diz que cometeu apenas quatro. E pede uma indenização de 1 milhão de euros (cerca de R$ 4,46 milhões).

“Faz seis meses que ela não conversa comigo e só sai do quarto para ir à escola”, disse ele ao jornal La Reppublica. “Fui retratado como um sádico. Me senti difamado e recorri ao meu advogado. A verdade não pode ser alterada assim.”

Segundo explicou na entrevista, ele e a filha estavam assistindo um episódio da série quando a imagem parou no ator que interpreta Di Filippo e apareceu uma legenda falando “Pasquale Di Filippo, mais de 20 assassinatos”.

“Ela me perguntou: ‘papai, o que você fez?”, afirmou o ex-mafioso. “Eu ia contar tudo para ela quando ela tivesse mais idade, quando tudo isso aconteceu eu era outro homem. O mundo desabou sobre nós”.

Baseado em fatos reais

A série conta a história do juiz Alfonso Sabella, que fez parte de uma força-tarefa contra a máfia de Palermo no início dos anos 1990, após diversos atentados contra magistrados que investigavam o crime organizado

Di Filippo aparece como um dos responsáveis pelo sequestro do adolescente Giovanni Di Matteo, filho de outro ex-membro da máfia que foi raptado em novembro de 1993 e passou mais de dois anos em cativeiro antes de ser morto e ter o corpo dissolvido em ácido, quando tinha 15 anos.

Mais de 100 pessoas foram condenadas à prisão perpétua pelo crime que chocou a Itália. O pai de Giovanni era informante da polícia e colaborou nas investigações do ‘Massacre de Capacci’, o atentado a bomba que matou o juiz Giovanni Falcone, a mando da Cosa Nostra, em 1992.

Procurado pela máfia

Na vida real, Di Filippo confessou quatro homicídios, enquanto trabalhou para a família mafiosa Brancaccio. Ele foi preso pela polícia em 1995, se tornou colaborador em investigações contra a máfia e passou dez anos na cadeia. Tudo isso antes da filha nascer.

Ao cumprir a pena, ele recebeu outra identidade, mas não consegue escapar de seu passado. “Tenho que me mudar de cidade constantemente porque a Cosa Nostra colocou minha cabeça a prêmio”, revelou.

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