Festa de 1º de Maio da Força Sindical em SP já teve patrocínio da Odebrecht

Evento da central sindical custa R$ 3 milhões e tem apoio até do governo federal. Paulinho da Força é citado em inquérito da Procuradoria-Geral da República.

Delator da Odebrecht diz ter recebido pedido de ajuda para Festa do Trabalhador

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A festa de Primeiro de Maio organizada pela Força Sindical na Praça Campo de Bagatele, na Zona Norte de São Paulo, é uma tradição pelo tamanho e pelo sorteio de prêmios. Segundo o presidente da Força Sindical, Paulinho da Força, o evento custa em torno de R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões. A central sindical não gasta nada, segundo ele. “Tudo é patrocinado”, diz Paulinho.

Até o ano passado, a Odebrecht, envolvida nas investigações da Lava Jato, ajudava a patrocinar a festa. E Paulinho teve o nome citado em delação de ex-executivos da Odebrecht por ter pedido dinheiro de caixa 2 para campanha eleitoral de deputado federal em 2014.

Um palco de 40 metros de largura por 19 de cumprimento pra receber onze shows, caixas de som distribuídas por um quilômetro. A festa conta com 500 brigadistas e sorteio de 19 carros. Um evento caro.

Os shows de nomes famosos do mundo sertanejo dividem o palco com discursos contra as propostas do Governo Federal para as reformas da Previdência e trabalhista- o que não impede que o próprio governo banque parte do evento.

Os outros patrocinadores são a Caixa Econômica Federal e mais três empresas privadas: uma fábrica de equipamentos hidráulicos, um banco e uma montadora de carros, que deu os 19 carros zero km pro sorteio.

Público recebe bonés laranja da central sindical para acompanhar os shows debaixo de sol forte (Foto: TV Globo/Reprodução)Público recebe bonés laranja da central sindical para acompanhar os shows debaixo de sol forte (Foto: TV Globo/Reprodução)

Público recebe bonés laranja da central sindical para acompanhar os shows debaixo de sol forte (Foto: TV Globo/Reprodução)

Até o ano passado, a Força Sindical também contava com doações da Odebrecht, empresa envolvida na operação Lava-Jato.

“A Odebrecht como outras empresas também patrocinava o 1º de Maio. E para nós não era surpresa, porque ela queria por a marca dela aqui e pagava para por como e qualquer outro anuncio que pagava antes”, explica Paulinho.

Festa do Dia do Trabalho da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle (Foto: TV Globo/Reprodução)Festa do Dia do Trabalho da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle (Foto: TV Globo/Reprodução)

Festa do Dia do Trabalho da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle (Foto: TV Globo/Reprodução)

A relação da construtora com a força sindical aparece nas delações feitas por ex-executivos da empresa e agora está num dos inquéritos que investiga o deputado federal Paulinho da Forca.

O ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Luiz Ayres Reis, disse à Procuradoria-Geral da República que conheceu o presidente da Força Sindical entre 2009 e 2010. E que o próprio Paulinho pedia a ajuda.

“Na época do primeiro de maio, ele sempre nos pedia uma contribuição formal, legal, para o evento que ele faz na Avenida Paulista. E a gente dava R$ 100 mil. Durante muitos anos, inclusive esse ano 2016”, diz o ex-executivo na delação.

Festa da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle, Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)Festa da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle, Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)

Festa da Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle, Zona Norte de São Paulo (Foto: TV Globo/Reprodução)

E ele diz que as relações com o deputado foram além. O ex-executivo afirma que o sindicalista pediu dinheiro para a campanha de 2014, via caixa 2. Deu o codinome do presidente da força na lista de pagamentos ilegais da Odebrecht.

“Nós acertamos um milhão de reais de contribuição. E nós acertamos o nome de ‘Forte’, uma relação à Força Sindical.”

Centrais Sindicais fazem manifestações e festas para celebrar o Dia do Trabalhador

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Fernando Reis afirmou que os pagamentos tinham um único objetivo. “Que a gente tivesse com ele uma relação boa e através dele quase que uma tutoria para gente saber lidar com os movimentos sindicais e as centrais sindicais no Brasil.”

Paulinho não nega as conversas com a Odebrecht, inclusive durante períodos de greve, e não vê nada de ilegal nisso.

“O caixa 2 não teve. Eu não tinha essa relação com a Odebrecht. A nossa relação de negociação quando tinha greve no setor dos trabalhadores”, disse Paulinho. “A minha função é acabar a greve. Nós fazemos negociação e um acordo. E quando faz um acordo acaba a greve.”

Paulinho da Força é citado em inquérito da Procuradoria-Geral da República.

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