Governo norueguês confirma bloqueio de doações para preservação da Amazônia

O governo da Noruega interrompeu os repasses ao Fundo da Amazônia

O governo da Noruega interrompeu os repasses ao Fundo da Amazônia ANTONIO SCORZA/AFP

O governo da Noruega confirmou à BBC News Brasil o congelamento de repasses do país ao Fundo Amazônia – uma reserva de dinheiro destinada a financiar projetos de preservação da floresta.

O país escandinavo é o maior financiador do fundo, cujos recursos são geridos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

As primeiras informações sobre o assunto foram publicadas mais cedo nesta quinta-feira (15) pelo jornal noruguês Dagens Naeringsliv (DN), depois de um anúncio do ministro do Meio Ambiente do país, Ola Elvestuen.

O governo da Noruega deve divulgar mais informações amanhã, de acordo com o chefe da comunicação do ministério, Jo Randen.

A atitude do governo da Noruega é uma resposta à decisão recente do Ministério do Meio Ambiente brasileiro de alterar o funcionamento do fundo e extinguir o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (Cofa) – que definia os critérios para o uso do dinheiro arrecadado.

Centralização das decisões

O resultado da extinção do comitê é centralizar no governo as decisões sobre os gastos do fundo, excluindo da gestão as organizações não governamentais que trabalham com este tema.

O Cofa também era responsável por mapear os resultados obtidos com os investimentos do Fundo Amazônia e reportar o assunto à Noruega e à Alemanha, que são os principais doadores do fundo.

Nessa semana, a Alemanha também interrompeu repasses ao Brasil para combater o desmatamento da Amazônia

Nessa semana, a Alemanha também interrompeu repasses ao Brasil para combater o desmatamento da Amazônia Per-Anders Pettersson/Getty Images

“Eles não poderiam fazer isso (as mudanças na gestão) sem um acordo com a Noruega e a Alemanha”, disse o ministro Elvestuen ao jornal DN.

O Fundo Amazônia foi criado em 2008. Desde então, a Noruega aplicou R$ 3,2 bilhões com este objetivo, e a Alemanha doou outros R$ 200 milhões.

Em entrevista à BBC News Brasil nesta quarta-feira (14), o ministro do Meio Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, disse que os recursos do Fundo eram insuficientes para uma política efetiva de proteção ambiental.

Desmatamento provocado por garimpo perto da Terra Indígena Wajãpi, no Pará

Desmatamento provocado por garimpo perto da Terra Indígena Wajãpi, no Pará Planet Labs

“Se cada hectare da Amazônia recebesse, por ano, US$ 100, estaríamos falando de mais de US$ 50 bilhões por ano. Esse é o volume de recursos que seria realmente necessário para termos uma condição de dizer: a Amazônia está sendo realmente ajudada pela comunidade internacional. Isso não quer dizer que o recurso do Fundo Amazônia não seja bem-vindo. Simplesmente que é um recurso muito, mas muito mesmo aquém do que se necessita”, disse ele.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: