Jonas nomeia interino para substituir Silvio Bernardin, preso na 3ª fase da Ouro Verde


O procurador geral do município, Edson Vilas Boas Orrú, foi nomeado para responder pela Secretaria de Assuntos Jurídicos. Prefeitura de Campinas
Fernando Pacífico/G1
O prefeito de Campinas (SP), Jonas Donizette (PSB), nomeou o procurador geral do município, Edson Vilas Boas Orrú, para responder interinamente pela Secretaria de Assuntos Jurídicos no lugar de Silvio Roberto Bernardin, que pediu exoneração do cargo após o mandado de prisão contra ele na 3º fase da Operação Ouro Verde, deflagrada na manhã de quinta-feira (22).
Bernardin foi preso na tarde de quinta após desembarcar no Aeroporto Internacional de Viracopos. O ex-secretário estava em Brasília (DF). Ex-secretário de Campinas, Silvio Bernardin foi preso nesta quinta-feira ao desembarcar em Viracopos Licia Mangiavacchi/EPTV
Segundo o Ministério Público, Bernardin agiu diretamente para a contratação de três fornecedores na Organização Social Vitale Saúde, que administrava o Hospital Ouro Verde: empresas responsáveis pelos exames de imagens, de lavanderia e exames laboratoriais. Os responsáveis por essas empresas também foram presos nesta quinta.
Os alvos são investigados por organização criminosa, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro. Segundo os promotores, apurou-se o desvio de ao menos R$ 2 milhões de recursos públicos e, durante o cumprimento do mandado na residência de Sylvino de Godoy Neto, dono do jornal Correio Popular, foram apreendidos R$ 7 mil, além de 1.850 dólares e 525 euros. O total de veículos apreendidos no imóvel, entretanto, não foi confirmado pela instituição até esta publicação.
Os desvios envolveram o direcionamento de contratação de fornecedores com preços superfaturados e entrega de vantagens indevidas para agentes públicos, destacou o MP.
Para os promotores, somados os valores das duas outras duas fases da Ouro Verde, o montante totaliza cerca de R$ 7 milhões desviados dos cofres públicos. Isso, no período em que o hospital era administrado pela Organização Social Vitale – entre maio de 2016 e novembro do ano passado. Veja um histórico sobre o Ouro Verde Quem foi preso
• Sílvio Bernardin, secretário municipal de Assuntos Jurídicos, exonerado nesta quinta-feira
• Sylvino de Godoy Neto, dono do jornal Correio Popular
• Thiago Neves, membro da gestão da Vitale, que administrava o Hospital Ouro Verde, preso em Jundiaí
• João Carlos da Silva Júnior, preso na capital paulista
• Danilo Silveira, dono de laboratório de análises clínicas
• Felipe Brás, empresário da empresa de higienização de material hospitalar Grennlav
• Alcir Fernandes Pereira, contador da Vitale
Não foi preso ainda
• Gustavo Kahttar de Godoy, filho de Sylvino e tinha empresa de exames de imagem que prestava serviço ao Hospital Ouro Verde
Operação Ouro Verde
A primeira fase da Operação Ouro Verde começou há um ano cominvestigações de desvios de ao menos R$ 4,5 milhões do Complexo Hospitalar Ouro Verde. Na primeira fase da operação seis empresários foram presos. Após as prisões, o contrato entre o poder público é a Organização Social Vitale Saúde (OS), que administra o hospital, foi suspenso.
O que dizem as defesas
Advogado de Sílvio Bernardin, Alexandre Sanches Cunha explicou que a primeira atitude do cliente foi “pedir que fosse exonerado para se concentrar em sua defesa” e que ele está à disposição para contribuir com a Justiça.
Sobre a suspeita de que o ex-secretário tenha atuado na contratação de três fornecedores para a Vitale, Cunha disse que respostas serão dadas no processo. Segundo o defensor, Bernardin será levado para prisão em Araraquara (SP), já que “é prerrogativa do advogado o direito a uma cela especial”.
O advogado Ralph Tórtima Filho, que defende Gustavo Kahttar de Godoy e Sylvino de Godoy Neto, afirma que Gustavo não está em Campinas e que deve ser apresentar nesta sexta-feira (23).
Em relação a Neto, o advogado disse que o cliente passa por um problema cardíaco e fez uma cirurgia na segunda-feira (19) para a colocação de um stent “em razão de um entupimento, de um comprometimento de uma artéria”. Reiterou que “nada justifica uma prisão temporária”. Neto passou mal ao ser preso e foi encaminhado para o Hospital da PUC-Campinas.
A defesa de Felipe Brás, da Greenlav, disse que ainda não teve acesso ao inquérito e, portanto, não vai se manifestar ainda.
A defesa de Thiago Pena disse que ainda vai se inteirar do caso e adiantou que vai tentar um habeas corpus ainda nesta quinta-feira
A defesa de Danilo Silveira disse que ainda não teve acesso aos autos do processo e que, por enquanto, não vai se manifestar. reiterou que o cliente é inocente e que vai provar isso na Justiça.
As defesas de Alcir Fernandes Pereira e João Carlos da Silva Júnior ainda não foram localizadas.
1ª e 2ª fases
À época em que a Operação Ouro Verde veio à tona, o Gaeco indicou desvio de ao menos R$ 4,5 milhões, por meio de 18 repasses de R$ 250 mil feitos pela Prefeitura à entidade sem fins lucrativos, antiga administradora da unidade médica, para custo compartilhado previsto em contrato. De acordo com os promotores, mas eles eram destinados para consultorias que nunca existiram.
Foram denunciados à Justiça seis pessoas ligadas à OS no período em que ela administrou o hospital. Elas respondem por organização criminosa, fraude à licitação, falsidade ideológica, peculato, e o caso está em tramitação na 4ª Vara Criminal de Campinas (SP). Na ocasião houve apreensões de carros de luxo e R$ 1,2 milhão em dinheiro na casa de um ex-diretor da Prefeitura.
Já na segunda fase, deflagrada em março deste ano, o MP indicou que um acordo previa o pagamento de R$ 1,2 milhão para dois ex-servidores municipais, entre eles, o ex-diretor com o qual também houve apreensão de dinheiro na residência. Trocas de mensagens indicavam as tratativas.
Os alvos da primeira etapa, além de dois ex-servidores e mais duas pessoas ligadas à entidade, foram denunciados à Justiça por organização criminosa, corrupção e peculato. O processo está em andamento e a expectativa é de que na próxima audiência os réus sejam interrogados.
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