Licitação para contratar empresa de ônibus no ABC está atrasada há 4 meses

Passageiros reclamam de filas e estado dos ônibus; cobradores foram demitidos.

Uma licitação para escolher as empresas que vão operar as linhas metropolitanas no ABC, na Grande São Paulo, está atrasada há quatro meses. A EMTU prometeu para janeiro, mas até agora não realizou a escolha das empresas para operar as linhas metropolitanas de sete cidades da região.

A reportagem do SPTV constatou que os problemas no atual serviço começam já do lado de fora dos ônibus, com as filas. Dentro, uma passageira fica na cadeira onde antes sentava o cobrador. A empresa Eaosa demitiu os cobradores.

Em um ônibus da linha 403, que vai de Mauá para São Caetano, a reportagem constatou um adesivo da Secretaria Estadual dos Transportes Metropolitanos indicando que validade da vistoria do veículo estava vencida desde 2016.

A Eaosa faz parte de um grupo de viações de ônibus do empresário Baltazar José de Souza. Ele responde a mais de 200 processos na Justiça, já foi condenado a quatro anos de prisão por crimes financeiros e tributários e deve quase R$ 1 bilhão à Receita Federal.

As empresas de Baltazar rodam no ABC sem licitação desde 1988. No ano passado, os motoristas e cobradores fizeram pelo menos oito greves.

O ABCD tem 280 mil passageiros por dia. Baltazar José de Souza é dono de sete das 16 empresas permissionárias que atendem a região.

No ano passado, a EMTU apresentou numa audiência pública o que seria o calendário da licitação dessa área. O edital seria lançado em janeiro deste ano e o contrato com as novas empresas assinado entre março e abril. Nada disso foi feito, porém.

A faxineira Luzinete Lira reclama da situação dos ônibus. “Cada dia pior. Pega fogo, não tem cobrador, não tem banco, a gente senta no chão, não tem respeito”, diz.

A Eaosa disse que vai regularizar o ônibus que está com a vistoria vencida e que vem trabalhando para diminuir os atrasos das linhas. Sobre a falta de cobrador, a empresa disse que há uma “tendência natural” de os passageiros deixarem de pagar em dinheiro e migrarem para o cartão BOM, o que deve reduzir o tempo perdido pelo motorista na cobrança.

Já a EMTU diz que lançou em dezembro uma minuta do edital, um rascunho, e que essa minuta ficou aberta à consulta pública e recebeu mais de 600 contribuições.

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