Lula e Temer: muito em comum, mas nada a declarar

 

O título pode parecer estranho, mas é uma realidade. Desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula o então Deputado Federal Michel Temer foi aliado de primeira hora e parceiro em todas as dificuldades.

Enquanto um estabelecia suas metas e ações de governo, o outro alicerçava o caminho com o peso do maior partido brasileiro, o PMDB, que afiançou todas as ações e projetos de Lula, por conta da sintonia fina que havia entre ele e Michel Temer.

Foram anos de ouro para ambos os lados, pois o partido capitaneado por Temer se esbaldou do poder, mais até do que o próprio PT, alguns dizem, enquanto o partido do presidente se enraizava ao máximo na máquina pública e montava seus esquemas hoje revelados, com o apoio do seu fiel parceiro.

O apoio do PMDB foi crucial para que Lula governasse com toda a tranquilidade, e todos os brasileiros, hoje, sabem o preço de tal serenidade na gestão. A cumplicidade forjada naquela época não é algo que se desfaça da noite para o dia.

Tanto é fato, que Temer foi guindado à condição de vice de Dilma, neófita na arte da política, e que precisaria de um parceiro de total confiança(de Lula) para governar.

Havia uma parceria muito sólida, que só encontrou obstáculo no governo da ex-presidente Dilma, sem traquejo político nenhum para lidar com o nível absurdo de entrelaçamento entre os dois partidos, o que culminou na sua saída abrupta do poder.

Mas, apesar desse desentendimento sério entre os partidos, verdadeira batalha campal, verifica-se que não há um só gesto hostil entre Temer e Lula. Será que o passado comum, de acordos e reuniões secretas está pesando? Será que não há o receio de que o destino de Lula possa estar interligado ao de Temer, se o primeiro constatar que tudo está perdido e começar a girar a sua metralhadora verbal? Este é um raciocínio diferente, e até lúdico para alguns, mas que faz sentido.

Que vantagem o atual presidente do país e seu grupo político teriam se Lula abandonasse a luta política, por total impossibilidade jurídica, e partisse para as delações? O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em entrevista recente, disse, em tom severo, que gostaria de derrotar Lula nas urnas, na eleição, para acabar com o mito. Interessante, pois o mito poderia ser destruído com a comprovação das denúncias feitas pelo Ministério Público e consequente condenação pelo Judiciário. Em relação aos benefícios que ele gerou para milhares de brasileiros durante sua gestão, diante dos antecessores e sucessores, é quase impossível apagá-los da memória popular.

Há quem diga que não sobraria pedra sob pedra no país caso Lula comece a falar. Daí a importância do julgamento do TRF da 4ª Região, e do silêncio sepulcral do presidente Temer.  

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