Mulher diagnosticada com esquizofrenia e transtorno mental tem auxílio-doença negado pelo INSS

Ex-cobradora de ônibus, de 34 anos, foi interditada pela Justiça e precisa tomar 21 comprimidos por dia. Instituto informou que irá verificar o que ocorreu em atendimento.

Uma ex-cobradora de ônibus diagnosticada com esquizofrenia e transtorno mental pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) teve a renovação do auxílio-doença negado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), nesta semana. Interditada pela Justiça, ela mora em Sumaré (SP), tem 34 anos, e precisa tomar 21 comprimidos por dia para controlar sintomas como agressividade e agitação.

O marido dela, Francisco Ribeiro, explica que é responsável legal da mulher há dois anos e o benefício foi negado por um perito que atua em Campinas (SP). Segundo ele, a manutenção do auxílio mensal de R$ 1,5 mil foi recusado porque a mulher não disse o próprio nome ao funcionário.

“Ele falou assim para mim que não ia fazer a avaliação da Enalda, pelo motivo dela não responder o nome dela […] Eu questionei educadamente: ‘Mas doutor, ela toma 21 comprimidos por dia’. Aí ele explicou pra mim que não existe patologia em que a pessoa não responda o próprio nome”, conta indignado.

O casal teve de ir até a agência, após esperar 12 dias pelo resultado de uma avaliação dela feita por outro profissional em unidade do INSS em Sumaré. Um dos efeitos dos medicamentos é sonolência e um laudo feito por psiquiatra afirma que a ex-cobradora precisa de cuidados em tempo integral.

“Ela já se machucou, já quebrou eletrodoméstico”, explica o marido. A família acionou a Justiça para tentar resolver o impasse e solicitar aposentadoria da mulher por invalidez.

“Se o acompanhante está com ela, é porque realmente ela necessita de pessoa que responda por ela. Até pelo fato dele ser curador”, diz a especialista em direito previdenciário Paula Diniz Silveira.

Ela destaca também que é necessária avaliação médica para eventual decisão negativa para prorrogação do auxílio-doença. “O fato dela não ter respondido o nome dela, não é causa para negativa do benefício”, ressalta. O marido demonstra indignação com o fato.

“Como que pode negar o benefício porque não respondeu o nome. Ele [perito] espera o que dela, uma conversa formal?”, ironizou Ribeiro.

Procurada pela EPTV, afiliada da TV Globo, a assessoria de imprensa do INSS informou que não seria apresentar uma posição sobre o caso nesta quinta-feira, mas o instituto irá verificar o que ocorreu no atendimento mostrado na reportagem para se manifestar o mais breve possível.

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