Mulher que ficou 10 dias em coma após acidente reencontra em aniversário equipe que a salvou


Ela tinha o sonho de conhecer os socorristas que salvaram sua vida. Mãe dela preparou a surpresa durante festa de aniversário. Confira o vídeo. Mulher que sobreviveu a acidente de trânsito em Campinas se emociona ao rever socorristas em festa de aniversário
Na madrugada de 24 de fevereiro, a esteticista Amanda Manzini, de 34 anos, sofreu um grave acidente na Rodovia Dom Pedro I (SP-065), em Campinas (SP). Um motorista capotou o carro, que atingiu o veículo em que Amanda estava com dois amigos. Ele fugiu sem prestar socorro e no automóvel havia garrafa de cerveja, enquanto ela esteve à beira da morte. O rápido resgate prestado pelos socorristas salvou a vida dela. No sábado (3), a mãe de Amanda preparou uma surpresa para celebrar o aniversário da filha e levou até ela os “anjos” que a tiraram do carro [veja o momento do encontro no vídeo acima].
“Desde quando eu soube a importância de o resgate ter sido muito bem feito para eu ainda estar viva, eu queria muito conhecê-los. Eu não consigo descrever a emoção ao vê-los entrar na minha casa. Pude conhecer os anjos que salvaram minha vida. A minha gratidão por eles é eterna”, diz Amanda.
Ao todo, foram dez dias em coma, 19 na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e um mês de internação no Hospital da Universidade de Campinas (Unicamp).
Os médicos responsáveis pelo atendimento no hospital disseram tanto para a vítima quanto para a mãe dela que Amanda só continuou viva por conta do rápido resgate. ‘Sua filha está viva?’
Ao perceber a vontade da filha de conhecer os socorristas, Raquel Aparecida Dias iniciou uma busca para encontrar os responsáveis por salvarem a vida da Amanda naquele momento. Ela conta que falou com diversas pessoas até conseguir encontrar um dos socorristas da concessionária que administra a rodovia que atuou no resgate da filha. “Ele ficou impressionado em me ver procurando para contar a história da minha menina, e perguntou, surpreso, ‘a sua filha está viva?’. Ele falou para mim que quando encontrou ela, era zero de batimento cardíaco e zero de oxigenação. Ela estava morta”, lembra Raquel. “Ele me disse que ninguém volta para agradecer pelo resgate. E eles nem sabem para onde vão as vítimas. O trabalho deles é na estrada e na porta do hospital, dali para dentro eles não vão mais. Então, eles ficaram sensibilizados com a história e se interessaram muito em conhecê-la”, conta. “Eu jamais imaginaria essa surpresa. Poderia imaginar qualquer coisa, menos que eles estariam na festa. Conversei muito com eles, abracei todos. Agradeci, agradeci e agradeci”, diz Amanda.
Amanda diz que, sem querer, “combinou” a cor da roupa com a equipe de socorristas
Bernardo Medeiros/Rota das Bandeiras
Acidente e resgate
Amanda estava no banco do passageiro do carro com um casal de amigos. O rapaz que estava com ela quebrou três costelas e, a amiga, fraturou o punho. O banco do carro onde Amanda estava foi o mais atingido pela colisão. No veículo do responsável por causar o acidente foram encontradas garrafas de cerveja, segundo a concessionária Rota das Bandeiras.
Praticamente no momento do acidente, uma viatura de inspeção da concessionária passava pelo mesmo local. Eles acionaram o resgate, que foi composto por duas ambulâncias da concessionária, além de Samu e Corpo de Bombeiros. Amanda estava no banco de passageiro, lugar mais danificado no acidente
Divulgação/Rota das Bandeiras
“Ela deu entrada na Unicamp com traumatismo craniano, rompeu a aorta bem no meio do coração, quebrou a primeira vértebra da coluna cervical, esmagou rins, fígado, baço, pulmão, teve uma pneumonia muito grande, hemorragia torácica e quebrou o braço esquerdo em três lugares”, diz Raquel.
“A primeira notícia que eu recebi é que ela não tinha chance nenhuma de vida, mas o que possibilitou isso foi o rápido atendimento do resgate”, explica.
Recuperação e sequelas
O momento de maior tensão, segundo Raquel, foi quando ela soube que a filha precisaria de uma prótese para ser colocada no coração. “O problema é que não encontrávamos essa prótese pronta porque quase nenhum jovem sobrevive a esse tipo de acidente”, explica.
Em uma corrida contra o tempo, dois dias depois do acidente eles encontraram uma prótese milimetricamente compatível com o coração dela em um hospital de Ribeirão Preto (SP).
Os médicos precisaram estudar a melhor forma de realizar a operação, já que Amanda estava debilitada e isso poderia causar sua morte. Além disso, ainda havia a chance de a prótese ser rejeita por seu organismo. No fim, deu tudo certo.
“Eles não sabem me dizer se vai haver uma consequência permanente. ‘O seu caso foi gravíssimo, e é muito bom que você esteja aqui conversando comigo hoje’ é o que eles sempre me falam”, diz Amanda.
Ela continua fazendo fisioterapia, para recuperar os movimentos do braço, e acompanhamento em relação à prótese colocada na aorta.
Amanda ficou dez dias em coma, 19 na UTI e um mês internada no Hospital da Unicamp
Arquivo pessoal
Vidas novas
Amanda diz que a principal mudança em sua vida após o acidente foi em valorizar mais o que há de bom à sua volta. “As pessoas acabam dando muito valor às coisas que não são boas, enquanto deveria ser ao contrário. Em cinco meses, eu estou cercada de pessoas com bons pensamentos e atitudes nobres comigo. Isso mudou muito a minha percepção de gratidão à vida, às pessoas”, diz.
E por desejar fazer o bem ao próximo e retribuir tudo o que fizeram por sua filha, Raquel decidiu se inscrever em um curso de socorrista. As aulas começaram em meio à preparação para a festa de aniversário da Amanda.
“Já faz um mês que estou nesse curso, que dura um ano. Depois disso, eu já posso entrar em ação. Minha ideia é trabalhar na concessionária, eu quero poder ajudar o próximo”, destaca Raquel.
Para Amanda, o mais importante, neste momento, é voltar a trabalhar e recuperar a saúde, mas ela deseja, também, que casos assim não voltem a acontecer com outras pessoas.
“É uma pessoa muito jovem [o responsável pelo acidente] e, se nada for feito, vai continuar fazendo isso [beber e dirigir]. Poderia ter sido a minha vida, mas Deus me poupou. Quem sabe não será a vida de outra pessoa, que não tem a nada a ver com a situação? Eu gostaria que ele tivesse consciência que o ato dele pode prejudicar muito a vida de outras pessoas”, finaliza. “Melhor presente da minha vida”, disse Amanda sobre o encontro com socorristas
Bernardo Medeiros/Rota das Bandeiras
Veja mais notícias da região no G1 Campinas

%d blogueiros gostam disto: