Museu se moderniza para contar história de Anne Frank para jovens

A Casa de Anne Frank, museu construído em volta do local secreto, no sótão de um prédio em Amsterdã, onde a jovem judia e sua família se esconderam dos nazistas, foi reaberto nesta quinta-feira (22)

O museu passou por reforma para receber uma nova geração de visitantes, cujos avôs nasceram depois da Segunda Guerra Mundial. Foi reaberto pelo rei holandês Willem-Alexander 

Morre, aos 95 anos, enfermeira que cuidou de Anne Frank

Annemarie Bekker, responsável pela área de comunicação do museu, afirmou recentemente ao R7  que a instituição tem como missão passar principalmente aos jovens a mensagem da importância da tolerância e do respeito aos direitos humanos

“Como uma organização educacional, a Casa de Anne Frank desenvolve e distribui programas educacionais e produtos que fornecem inspiração e se conectam com as experiências de jovens de todo o mundo. A história da vida de Anne Frank sempre constitui a base para essas iniciativas”

O museu e as dependências minúsculas onde Anne escreveu seu diário, acabam se misturando. Por causa do museu e do diário, que também se misturam, cerca de 1,2 milhão de pessoas visitam o local anualmente

O prédio funcionava como uma empresa, de propriedade de Otto Frank, que, com o avanço nazista, não viu outra alternativa para a família, a não ser se transferir para o sótão, à espera de que o regime nazista fosse derrotado

E durante a rotina nos recintos, Anne escreveu seu diário, contando sobre suas vivências e esperanças. Os textos se transformaram em livro, o documento mais amplamente lido a emergir do Holocausto

Bekker ressalta o caráter humanitário da instituição.
“O antissemitismo, o preconceito, o tratamento desigual e a negação dos direitos civis desempenharam um papel crucial na história de vida de Anne Frank. A Casa de Anne Frank abre esses temas para discussão, com o objetivo de conscientizar e mudar atitudes entre os jovens”

Toda a história daquele momento é contada através de fotos simples, citações de seu diário e depoimentos em vídeo de sobreviventes. Agora os curadores acrescentaram uma visita guiada em áudio. Há também objetos, cartas, livros religiosos e documentos

Ronald Leopold, diretor do museu, afirma que o local é direcionado à reflexão.

“Às vezes dizemos que o museu Casa de Anne Frank é um dos únicos museus do mundo que não tem muito mais a oferecer do que espaços vazios. Uma visita guiada em áudio nos habilitou a dar informações sem perturbar o que acho ser um dos elementos mais poderosos desta casa: seu vazio”

A turnê começa pela história da família Frank, sua fuga para a Holanda após a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha e sua decisão de se esconder no dia 6 de julho de 1942

Os visitantes passam pela estante giratória que escondia o anexo secreto apertado acima de um depósito onde Anne, sua irmã Margot, seu pai Otto e sua mãe Edith se abrigaram até serem presos pela polícia em 4 de agosto de 1944

Eles moraram com outros quatro judeus: Peter van Pels; Hermann van Pels (pai de Peter, esposo de Auguste); Auguste van Pels (mãe de Peter, mulher de Hermann) e Fritz Pfeffer, dentista de Miep Gies, uma das pessoas que ajudaram do lado de fora

O museu exibe ainda o documento do governo registrando a deportação dos Frank de trem para o campo de concentração de Auschwitz em um vagão de gado

Anne foi transferida para o campo de Bergen-Belsen, onde morreu no início de 1945, aos 15 anos. Ela foi um dos seis milhões de judeus que perderam a vida sob o regime nazista. Da família, apenas Otto sobreviveu ao martírio da guerra. Ele morreu em 1980, após assumir a tarefa de difundir a mensagem de paz e coragem escrita pela filha

Série Jornal da Record – Sobreviventes do Holocausto

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