Num Pantanal noturno, dentistas transformam florada de ipês em obras de arte


Grupo se especializou na técnica do time lapse e nas fotografias de longa exposição. Excesso de luz é um problema para as fotos noturnas, que captam a luz do céu
Ernane Junior/Arquivo Pessoal
A beleza e o colorido das flores dos ipês já impressionam durante o dia, mas é na noite do Pantanal que a verdadeira beleza dessa árvore se revelou ao dentista Ernane Junior e um grupo de amigos de mesma profissão. Com equipamentos elaborados e a vontade de dar foco às belezas da natureza, há dez anos, um mesmo “ritual” se repete. Mesmo sem enxergar direito e enfrentando com cuidado os perigos que a vida noturna na floresta revela, os observadores se engajaram pelo propósito da inovação. “A gente optou por fazer essas fotos noturnas com a composição com as estrelas para apresentar as árvores do Pantanal de um jeito totalmente diferente, de um quadro totalmente desconhecido pelo público”, comenta Ernane. Considerada árvore símbolo do Brasil, ipê-amarelo contrasta com o céu
Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Além do escuro, a própria natureza apresenta outros limites. Em alguns anos, um esforço coletivo da natureza permite que as floradas de diferentes árvores ocorram todas de uma vez, mas em outros elas florescem de forma espaçada. Quando há a formação de cenário sincronizado, as baterias das câmeras e dos observadores devem estar bem carregadas. “Para fotografar a noite, você precisa ser extremamente minucioso e usar todo o equipamento no modo manual. A bateria dura apenas duas horas, então o cansaço é uma coisa que pega demais, porque a gente ‘vara’ a noite fotografando os ipês”, conta.
Mostrar as estrelas e a beleza da Via Láctea são os objetivos dos dentistas observadores Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Fotografar na ausência de luz exige que os observadores programem as câmeras para uma técnica de alta exposição por muitos segundos. Assim, uma luz bem fraca é aplicada ao cenário para que a câmera compense a ausência de luz mostrando a iluminação que vem dos céus, através das estrelas. “A gente tem até que fotografar em um dia que não tem lua, para ver a Via Láctea”, explica o dentista. Com o contraste do céu pantaneiro, observador demonstra a beleza da florada do ipê
Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Os vídeos apresentam um novo desafio nessa prática do grupo. Para o registro de uma única foto são necessários 30 segundos. Assim, para fazer um vídeo de um minuto mostrando a movimentação acelerada das estrelas (o chamado time lapse), o observador precisaria deixar sua câmera registrando por quase 15 horas, somando mais de 1800 registros em fotos.
Mesmo com um acervo tão grande acumulado, Ernane consegue eleger uma favorita. “A fotografia que eu acho mais curiosa é de uma florada de 2016, quando a gente fotografou um ipê com um raio no fundo. Isso é muito difícil, porque em agosto no Mato Grosso não chove, é uma época de seca. A gente pegou um começo de tormenta, porque o mundo está um pouco diferente. Nunca vi algo como isso nesses dez anos e não devo ver de novo, foi único”, relembra. Uma das fotos mais marcantes para o observador mostra a chegada da chuva ao Pantanal
Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Como parte de um fenômeno de sinergia ipês podem florir em conjunto Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Técnicas de exposição possibilitaram registros noturnos dos ipês
Ernane Junior/Arquivo Pessoal
Há dez anos, dentistas se dedicam à “caça” de estrelas durante a florada de ipês
Ernane Junior/Arquivo Pessoal

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