Onde os fracos não têm vez

Quase uma semana saindo pouco ou sem sair de casa. A dor no joelho, a fisioterapia diária – daqui a pouco tem mais -, tudo tem me prendido aqui. Tenho feito bastante matérias para o jornal. Entrevistei José Padilha por e-mail, Karim Ainouz por telefone, ambos por seus filme na Berlinale. Fiz para amanhã, no impresso, um texto sobre os indicados para o Oscar de direção – e outro sobre meu amado Luchino Visconti para o catálogo da retrospectiva no Cinesesc. Havia tentado rever Três Anúncios para Um Crime antes de escrever o Gostei (Luiz Zanin)/Não gostei (eu) para o Caderno 2, mas as sessões de pré-estreias andavam lotadas. Revi ontem o filme de Martin McDonagh no CineSala com meu amigo Dib Carneiro. Ele amou, eu não, mas com certeza teria escrito outro texto no C2. Pode ser spoiler – cuidado! -, mas ao invés de se chamar Três Anúncios o filme poderia ser Três Cartas, e elas mudam tudo na ficção de McDonagh. O mundo pode não ficar mais róseo, mas fica melhor, as pessoas mais solidárias depois das tais cartas. O que falta, é dito para um personagem particularmente repulsivo, é amor. Por favor! Não sou um grande fã dos Coen, vocês sabem, mas creio que Joel teria dado um tom, uma crueldade, um humor mais perverso, ao roteiro do (dramaturgo) McDonagh, e isso teria feito toda a diferença. Li em algum lugar, na imprensa norte-americana – Film Comment? -, que o filme é um ‘crowd pleaser’ e, para ganhar seu público, o diretor não radicaliza. Não radicaliza mesmo. Até o Meio-Oeste reacionário, os eleitores de Trump!, tem esperança. E Frances McDormand… Ela tem ganhado todos os prêmios de interpretação do ano, e ainda vai ganhar o Oscar, mas não é minha favorita. Nada a ver, mas Frances me lembra Daniel Day-Lewis, recordista absoluto do Oscar de ator. Venceu três vezes, mais que qualquer outro ator na história. Em 2008, venceu seu segundo Oscar por Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson. Já estava indicado para o prêmio da Academia quando Sangue Negro concorreu em Berlim. P.T. venceu o Urso de Prata de direção – o ouro de melhor filme foi para José Padilha, por Tropa de Elite – e um obscuro ator iraniano, Reza Naji, derrotou Day-Lewis na categoria de ator, o que levou P.T. a um desagravo por seu intérprete. Lembro-me que, em seu agradecimento, depois do prêmio de interpretação, ele disse que Day-Lewis fazia qualquer um parecer bom diretor. Talvez me engane, mas foi uma das últimas vezes, senão a última, em que indicados para o Oscar concorreram em Berlim. Começou a pegar mal que a Berlinale preterisse os futuroS vencedores da Academia – o Oscar é sempre imediatamente a seguir. Enfim, diz alguma coisa que a Academia tenha cumulado Três Anúncios de indicações (sete!), mas tenha deixado o diretor de fora. Para quem chegou até aqui e acha que o título do post não faz sentido – é para lincar com os Coen, sim. No Country for Old Men.

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