Paraguai designa comissão para revisar acordo de Itaipu com o Brasil

Paraguai anuncia comissão em meio a crise política

Paraguai anuncia comissão em meio a crise política
Jorge Adorno/ Reuters – 1.8.2019

O Paraguai anunciou nesta sexta-feira (2) os primeiros integrantes de uma comissão que vai liderar a renegociação do tratado da usina de Itaipu com o Brasil em 2023.

O anúncio ocorreu um dia depois da maior crise política do governo de Mario Abdo Benítez, que esteve prestes a ver um processo de impeachment aberto contra si na Câmara dos Deputados devido a um acordo sobre a compra de energia de Itaipu com o Brasil até 2022.

A criação da comissão era um dos compromissos que Abdo Benítez assumiu após as críticas sobre as negociações com o Brasil sobre Itaipu.

Os dois países terão que chegar a um acordo para modificar o anexo C do Tratado de Itaipu, que vence em 2023 e que obriga o Paraguai a vender ao Brasil a preço de custo o excedente de 50% da energia gerada pela usina, que fica na fronteira entre os dois países.

A divulgação dos 12 nomes que integrarão a comissão coube ao novo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas. Entre eles estão políticos, assessores econômicos e especialistas em energia.

Destaca-se a presença de dois ex-ministros da Fazenda: César Barreto, que comandou o órgão entre 2007 e 2008, durante o governo de Nicanor Duarte, e Manuel Ferreira, que esteve na pasta entre 2012 e 2013, como parte do mandato interino de Federico Franco.

Rivas explicou que a lista é preliminar e que a comissão pode chegar a 20 integrantes. Segundo ele, alguns dos especialistas convidados pelo governo ainda não responderão se gostariam de participar das negociações.

Também fará parte do grupo o economista americano Jeffrey Sachs, que desde 2012 assessora o Paraguai estudando o mercado regional de energia para auxiliar nas negociações do acordo.

Além da criação da comissão, Rivas informou que o governo vai realizar mudanças no conselho de Itaipu, outra medida para tentar acalmar os ânimos no país após o polêmico acordo energético. O chanceler, porém, não quis dar detalhes sobre quais serão essas alterações.

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