Polícia usa versão de réu para reconstituir morte de estudante esfaqueado durante festa na Unicamp

Perícia mais recente ocorreu em 20 de setembro, no campus da Unicamp (Foto: Reprodução / EPTV)Perícia mais recente ocorreu em 20 de setembro, no campus da Unicamp (Foto: Reprodução / EPTV)

Perícia mais recente ocorreu em 20 de setembro, no campus da Unicamp (Foto: Reprodução / EPTV)

A Polícia Técnico-Científica fará na madrugada desta quinta-feira (12) nova reconstituição da morte do estudante Denis Papa Casagrande, esfaqueado durante uma festa no campus da Unicamp, em setembro de 2013. A vítima, de 21 anos, sofreu “anemia aguda” após ser atingida no coração e três são acusados pelo Ministério Público de participação no assassinato ocorrido em Campinas (SP).

Segundo despacho do juiz da 1ª Vara do Júri, José Henrique Rodrigues Torres, a simulação será feita de acordo com versão apresentada pelo réu Anderson Marcelino Ferreira Mamede, considerado coautor, já que ele admitiu ter agredido o rapaz com golpes de skate, quando ele já estava ferido.

O texto também previa versão alegada por Maria Tereza Peregrino, que assumiu ter desferido as facadas na vítima em suposta legítima defesa, segundo a Polícia Civil, mas ela não comparecerá.

O início dos trabalhos está marcado para as 23h45 desta quarta-feira (11). Segundo o diretor do Instituto de Criminalística, Edvaldo Messias Barros, o horário foi escolhido para que seja próximo ao registro do fato e haverá corte de energia para que as condições do ambiente sejam semelhantes. Há 20 dias, a polícia também fez uma simulação a pedida da defesa de Mamede.

“Naquela primeira fase, ela [simulação] foi com testemunhas protegidas, e agora será com base no réu. Haverá um cuidado especial, a previsão é de que os trabalhos terminem entre 4h e 5h”, destacou ao mencionar que o entorno do Ciclo Básico, em Barão Geraldo, será isolado.

Mamede está preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Campinas e será julgado em 24 de outubro; enquanto Maria Tereza está no CDP feminino de Franco da Rocha (SP) e não há previsão para que seja julgada, de acordo com o Tribunal de Justiça do estado (TJ-SP).

Os dois réus e André Ricardo de Souza Motta, que responde em liberdade e será submetido a novo julgamento, foram denunciados pela Promotoria de Justiça por homicídio triplamente qualificado – motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.

Pais de Denis Casagrande durante audiência no Palácio da Justiça (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)Pais de Denis Casagrande durante audiência no Palácio da Justiça (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)

Pais de Denis Casagrande durante audiência no Palácio da Justiça (Foto: Fernando Pacífico / G1 Campinas)

A Unicamp informou, por meio da assessoria de imprensa, que colabora com as autoridades e o trabalho de reconstituição não provocará reflexos nas atividades da universidade.

O que dizem as defesas?

O G1 não conseguiu contato com os advogados de Mamede e Motta até esta publicação.

Já o defensor de Maria Tereza, Felipe Ferraioli, avaliou a reconstituição de forma positiva, e falou que a acusada não participará dos trabalhos. “Ela indo ou não ao local, não afeta os trabalhos porque eles são feitos com base nos depoimentos já prestados, no papel. Acredito que a reconstituição só vai ajudar a esclarecer o que de fato ocorreu, a avaliação é favorável para os três réus”, explicou.

Denis Papa Casagrande morreu após ser esfaqueado durante festa na Unicamp (Foto: Reprodução/ EPTV)Denis Papa Casagrande morreu após ser esfaqueado durante festa na Unicamp (Foto: Reprodução/ EPTV)

Denis Papa Casagrande morreu após ser esfaqueado durante festa na Unicamp (Foto: Reprodução/ EPTV)

Casagrande foi morto por engano durante a festa, de acordo com a Polícia Civil. À época em que o inquérito foi concluído, o delegado Rui Pegolo afirmou que ele foi confundido com outro jovem que teria assediado Maria Tereza, quando ela integrava um grupo autodenominado “anarcopunk”. Ela confessou ter dado a facada, informou a corporação, mas alegou legítima defesa e disse ter sido agarrada pelo estudante. A versão foi rechaçada pelos investigadores após análise de provas.

Maria foi indiciada como autora do crime, e o namorado dela à época, Anderson Mamede, como coautor, já que ele admitiu ter agredido com golpes de skate a vítima, quando ela já tinha sido atingida pela faca. André Motta também foi indiciado pela participação – admitiu ter agredido a vítima, de acordo com decisão do TJ-SP – e nenhum deles estudava na Unicamp.

Após a morte de Casagrande, a Unicamp aceitou a proposta do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que a Polícia Militar circulasse nas áreas internas. Contudo, o anúncio gerou polêmica e um grupo de estudantes ocupou a reitoria por 13 dias em protesto contra a medida. O ato foi encerrado somente após a instituição se comprometer a não firmar convênio com a corporação.

A família de Casagrande é de Piracicaba (SP) e, em setembro de 2013, ele morava com amigos no distrito de Barão Geraldo para fazer o curso de engenharia de controle e automação na Unicamp.

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*