São 30 mil no país | Venezuelanos chegam ao Rio atrás de uma melhor condição de vida

  • Victoria Macdonogh/UNIC Rio

    Rafael tem 39 anos e é formado em Direito, Filosofia e Computação. Saiu da Venezuela após receber ameaçasRafael tem 39 anos e é formado em Direito, Filosofia e Computação. Saiu da Venezuela após receber ameaças

Rafael* tem 39 anos e é formado em Direito, Filosofia e Computação. Proveniente de San Cristóbal, cidade localizada perto da fronteira com a Colômbia, tornou-se crítico do governo venezuelano e, nos últimos anos, passou a ser perseguido por defender opositores nos tribunais. Suas posições políticas também fizeram com que não encontrasse trabalho.

Carmen, de 37, é professora, casada com o administrador de alfândega Francisco, de 27. Os dois têm uma filha de 4 anos, Victoria. Recentemente, passaram a ter dificuldades para comprar alimentos em Caracas, onde viviam. O custo de vida aumentou exponencialmente, situação agravada pelo fato de que Carmen não estava recebendo salário da escola em que trabalhava.

As histórias de Rafael, Carmen e Francisco assemelham-se às de cerca de 30 mil venezuelanos que, segundo estimativas das autoridades estaduais de Roraima e da Polícia Federal (PF), entraram no país em busca de proteção ou de melhores condições de vida diante da crise política e econômica na Venezuela. Segundo dados da PF fornecidos à Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), 16 mil pessoas pediram refúgio, concedido a quem sofre perseguições ou ameaças.

Estudo recente apoiado pelo ACNUR mostrou que a maioria dos venezuelanos não indígenas que estão em Roraima — estado que faz fronteira com a Venezuela e que tem recebido o maior número de refugiados e migrantes — é jovem (72% têm entre 20 e 39 anos) e possui boa escolaridade (78% têm nível médio e 32%, superior ou pós-graduação).

Alguns conseguem viajar ao Rio de Janeiro e a São Paulo, onde esperam ter mais oportunidades de trabalho. De acordo com o levantamento, parcela significativa (58%) dos venezuelanos que estão em Roraima tem amigos ou familiares que já residem no Brasil.

“Conheci uns advogados brasileiros quando estava passando férias em Cúcuta, na Colômbia”, contou Rafael em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio). “Trocamos muitas ideias, e eles me convidaram para vir ao Rio em dezembro do ano passado. Fiquei um mês, mas voltei para a Venezuela. Depois, tive um problema, fui ameaçado. Falei com eles e me convidaram para vir definitivamente em julho. E eu vim”.

“Na Venezuela, a Justiça está muito parcializada. O que acontece é que se você não é simpatizante do governo, não pode exercer livremente a profissão de advogado”, declarou. “O trabalho para nós caiu consideravelmente, além de sermos perseguidos”.

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