SÁTIRA POLÍTICA

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O Supremo Tribunal Federal  – STF decidiu, no dia 21/06, liberar veículos de comunicação a realizarem sátiras e montagens com candidatos do pleito que se avizinha.

Extremamente acertada, a decisão considera censura prévia o estabelecido em mudança na legislação eleitoral em 2009, que proibia esse tipo de manifestação do pensamento.

Não somente a liberdade de expressão, prevista na Constituição Federal, seria tolhida caso o entendimento da Corte fosse outro, mas, sobretudo, a própria liberdade de criação artística, que sempre acompanhou a literatura luso-brasileira e foi de grande valia em momentos históricos cruciais do país.

Quem não reverencia a obra literária do Padre Vieira, crítico ácido dos políticos de sua época e de várias de suas ações? E Gregório de Matos, o “Boca do Inferno”, com sua poesia barroca que criticava os costumes e a sociedade de sua época, quase de forma pornográfica? Isso sem falar nos escritores franceses e americanos.

Se naquela época, em que o indivíduo poderia pagar com a própria vida por críticas elas ocorriam, como seria possível, em pleno século 21 nós termos algum tipo de censura prévia? Alguém pode imaginar Arnaldo Jabor amordaçado? É inimaginável.

Em nossa vida pública são raros os momentos em que podemos aplaudir integrantes do poder por suas atitudes, e esse é um deles. O STF garantiu ao povo brasileiro algo que os políticos haviam nos negado por meio de uma legislação anacrônica e facista: o direito de rir da própria desgraça. Isso mesmo.

Quando satirizamos um político ou grupo político, o fazemos como único recurso para mostrar a nossa insatisfação e, não raro, revolta, com o status quo. É a forma pela qual a população, turbada em seus sentidos por tantos desmandos, consegue atingir os políticos que não correspondem às mínimas expectativas, se furtando a responder por elas fazendo uso do poder em que foram investidos por delegação popular.

É triste saber que, a essa altura dos fatos, ainda tenhamos que nos defrontar com situações como essa, que expõem, até dentre os considerados democratas progressistas, um certo ranço ditatorial, que consiste em coibir a crítica contrária.

Por meio dessa decisão o STF lavou a alma de todos os que formam opinião e a expressam de modo sério e responsável, mesmo que por meio da satirização de figuras conhecidas. 

Esse é o ônus, diria até único ônus, que os políticos brasileiros têm: o comprometimento de sua imagem em razão do seu desempenho ruim; ao mesmo tempo que o cidadão que o elegeu, privado da possibilidade de retirá-lo do poder antes do término do mandato, tem na crítica ácida a chance de, inocentemente, atingir quem não vale o seu voto e não merece a sua confiança.

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